Um dos cinco helicópteros KAMOV do Estado está avariado em Ponte de Sôr desde Novembro do ano passado. E apesar de a fase Charlie - a mais crítica do combate aos incêndios - ter arrancado no início do mês, o problema técnico ainda não foi solucionado, porque a empresa contratada para fazer a manutenção dos helicópteros bombardeiros pesados e o Estado não se entendem.
Para a Empresa de Meios Aéreos (EMA) e a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), que gerem os aviões do Estado, a culpa de o KAMOV estar parado é da empresa Heliportugal, que detém o contrato para a manutenção programada dos meios aéreos. Mas a Heliportugal descarta quaisquer responsabilidades sobre o assunto. Depois da guerra que envolveu a contratação dos meios aéreos ligeiros para o combate aos incêndios - com o consórcio perdedor, liderado pela Heliportugal, envolvido em várias batalhas legais com a empresa que ganhou o concurso, a Everjets -, o caso do KAMOV parado há oito meses vem lançar nova polémica sobre os aviões do Estado.
O i sabe que a EMA notificou, ontem, a Heliportugal "para a necessidade urgente da resolução do problema técnico" do KAMOV - que é preciso, nesta fase, para o combate aos fogos. Na mesma comunicação, segundo fonte ligada ao Ministério da Administração Interna (MAI), a Empresa de Meios Aéreos alertou ainda a Heliportugal para a possibilidade de lhe vir "a aplicar as penalidades relativas ao não cumprimento do contrato" estabelecido com o Estado.
Já a Heliportugal - que ainda não tinha recebido a notificação ontem ao final da tarde - tem uma versão diferente da história e garante que o problema que impede o KAMOV de voar não é da sua responsabilidade, mas sim do EMA. Fonte da empresa contou ao i que em Novembro do ano passado dois pilotos da EMA tiveram um acidente com o helicóptero bombardeiro. "Bateram com as pás do KAMOV e desde então a aeronave tem estado parada", diz a mesma fonte. A Heliportugal acrescenta que não é da sua responsabilidade, em termos do que está definido no contrato com o Estado, fazer manutenções relacionadas com acidentes. "A empresa só tem de assegurar as manutenções programadas das aeronaves, mas mesmo assim emprestámos duas pás à EMA", acrescenta a mesma fonte. Segundo a Heliportugal, a Empresa de Meios Aéreos só encomendou as suas próprias pás em Abril deste ano. "E são encomendas que têm um prazo de entrega de 150 dias", explica a mesma fonte da Heliportugal, que descarta qualquer tipo de responsabilidade no caso: "O assunto é da inteira responsabilidade da EMA."
Contactado pelo i, o MAI confirmou que só quatro dos cinco KAMOV do Estado estão operacionais. "A Autoridade Nacional de Protecção Civil está a diligenciar no sentido de encontrar uma solução alternativa no mais breve espaço de tempo possível", respondeu o gabinete de imprensa de Miguel Macedo, escusando-se a mais comentários.
Os KAMOV do Estado chegaram a Portugal em 2007 e custaram perto de 105,5 milhões de euros. Em Junho do ano passado, o ministro da Administração Interna e o ministro da Saúde anunciaram que os meios aéreos do Estado iam passar a ser operados por privados e que os Kamov passariam também a fazer emergência médica.
Fonte: http://www.ionline.pt/
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