sábado, 12 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Bombeiros salvaram a própria vida
São treinados para salvar vidas, mas, desta vez, António Neto, Paulo Ferro e David Valadar viram a sua própria vida em risco durante o combate às chamas em Calvelhe, no concelho de Bragança.O incêndio deflagrou ao início da tarde do passado dia 22 e, por volta das 17 horas, pregou uma partida aos soldados da paz que se encontravam a estudar uma estratégia de contra-fogo para travar as chamas.“Estávamos a ver como actuar junto a uma ribeira, para que o fogo não se propagasse à encosta contrária, quando, de repente, há uma projecção de fogo do monte que estava a arder para o local onde nos encontrávamos”, conta António Neto.À primeira vista parecia uma pequena chama fácil de apagar, mas o vento espalhou as labaredas em poucos minutos. “Ainda tentámos apagar, mas tivemos que fugir para um olival. Pensávamos que estávamos seguros, mas o fogo começou a propagar-se e a única forma de escapar era por um monte de silvas e pelas fragas”, recorda o chefe Neto.Durante a fuga, Paulo Ferro lesionou-se numa queda, o que viria a dificultar a vida aos três bombeiros que lutavam pela vida no meio das chamas. “ A única hipótese era fugir para a ribeira, mas chegámos lá e não tinha água, o que nos obrigou a subir a encosta que já estava queimada e esperar que as chamas dessem tréguas”, salienta António Neto.O local era inacessível, o que obrigou os bombeiros a inalar fumo e suportarem o calor do fogo durante cerca de uma hora. “Como estava com dificuldade em movimentar-me ainda lhes disse para fugirem que eu lá os apanhava, mas eles nunca me deixaram para trás”, recorda Paulo Ferro.O espírito de equipa foi constante nos momentos de aflição. “Chegou-nos a passar pela cabeça que não iríamos conseguir sair dali”, realça David Valadar.Falhados vários pedidos de ajuda via rádio, para serem refrescados com água, os três soldados da paz, já exaustos, conseguiram subir a encosta até um ponto acessível ao helicóptero, que os evacuou directamente para a Unidade Hospitalar de Bragança.
Mais de 1000 hectares ardidos em Calvelhe
Três bombeiros da corporação de Bragança ficaram feridos anteontem ao início da noite durante o combate a um incêndio florestal na zona de Calvelhe, no concelho de Bragança. Os homens ficaram encurralados numa encosta oposta, onde se tinham deslocado para fazer contrafogo para travar as chamas.
"Houve uma projecção do fogo e ao tentar apagá-lo as labaredas deflagraram com muita rapidez e de repente vimo-nos cercados", contou António Neto, chefe dos Bombeiros de Bragança. A única hipótese dos bombeiros foi atravessar a parte queimada. "Um colega caiu por uma ravina, tivemos de gatinhar", lembrou.
A retirada foi "complicadíssima", explicou Paulo Ferro, outro dos feridos, que admitiu que houve um momento em que disse aos colegas para continuarem e o deixarem para trás. Para se salvarem valeu a experiência do chefe Neto, bombeiro há 34 anos. Mais tarde, foram evacuados de helicóptero para o hospital, com ferimentos ligeiros e problemas relacionados com a inalação de fumo.
(altura em que os 3 bombeiros foram evacuados de helicoptero)
O difícil acesso ao local do incêndio, devido à orografia do terreno, "onde há zonas que não se chega a pé, foi um dos principais obstáculos ao seu combate, aliado ao vento que fazia irradiar as chamas rapidamente", explicou Melo Gomes, comandante da Protecção Civil distrital. "O incêndio decorreu no vale encaixado do Sabor onde há várias correntes de vento", acrescentou.
As altas temperaturas, a baixa humidade e a falta de pontos de água permitiram a progressão rápida do incêndio que chegou a ter três frentes activas entre Calvelhe e Paradinha Velha, onde a população não teve sossego.
Melo Gomes considera que este foi o incêndio "mais grave deste Verão e dos últimos três anos no distrito", nomeadamente o que tem maior área ardida. O fogo lavrou durante mais de 26 horas, tendo início cerca das 14 horas de domingo. Ontem ao final da tarde já estava circunscrito, procedendo os bombeiros ao rescaldo. Mantinha-se um dispositivo de combate para evitar o reacendimento, que iria manter-se durante a noite.
Durante a tarde de ontem o incêndio foi combatido por 156 homens de 15 entidades apoiados por 27 veículos, contando ainda com três meios aéreos.