segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ENB: “A Escola vai Deixar de Ter Horário de Repartição Pública”


O presidente da Escola Nacional de Bombeiros (ENB), José Ferreira, foi membro do conselho executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Leiria, antigo presidente da direção e atual presidente da assembleia geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós. Foi ainda docente e autarca. Em entrevista ao “BP” traça novos rumos para a ENB, como defende, em sintonia com a LBP e a ANPC. Desde logo, defende que “a Escola vai deixar de ter horário de repartição pública”, ou seja, “para que possamos alargar o horário de funcionamento de domingo a domingo, se necessário ao sábado e domingo”. “A Escola serve para dar resposta ao bombeiro que aqui vem, principalmente, à noite e aos fins de semana”, precisa o presidente da ENB.


Bombeiros de Portugal (BP) – E incontornável começar com o tema da formação dos bombeiros em matéria de fogo florestal. Têm surgido muitas críticas relativamente a esta matéria. A realidade contraria as afirmações de que os bombeiros não têm formação?

José Ferreira (JF) – Sim. Os bombeiros têm a formação adequada para desempenhar todas as suas funções. Sobre isto, vale a pena lembrar que existem requisitos indispensáveis e obrigatórios para que seja possível progredir nessa mesma carreira: desde logo, formação inicial para que possa ser bombeiro. Já no momento em que o bombeiro pode desempenhar funções de outra responsabilidade, nomeadamente a tarefa de chefe de equipa ou de grupo de combate, ele tem de vir à Escola atualizar e aprofundar os conhecimentos. Mas há uma questão que eu gostaria de realçar. Formação é saber. Instrução é treinar. Não adianta saber muito se não se exercitar o saber e este binómio não pode ser negligenciado.

BP – É um recado para os corpos de bombeiros?

JF – Não é um recado para ninguém e entendam as minhas palavras como quiserem. Reafirmo que a formação que ministramos, nomeadamente quando assumem postos de chefia na área do combate, é a adequada mas se o saber não for exercitado não estará agilizado no momento de ser aplicado. Por tudo isto, teremos que, para além da formação, dedicarmos mais atenção à instrução. E porque é tarefa pedagógica da Escola, vamos elaborar um conjunto de fichas orientadoras sobre como deve ser ministrada a instrução, fichas que estarão disponíveis a todos os quadros de comando dos bombeiros portugueses.

BP – Insisto. Da realidade que a Escola conhece, há falta de instrução nos quartéis?

JF – Certamente que existem corpos de bombeiros onde a instrução é exemplar e outros onde é mais deficitária mas não vou entrar por aí. Sublinho apenas que o saber é diferente do fazer. Na minha opinião devemos refletir mais, e nomeadamente em matéria de fogos florestais. Talvez num futuro próximo, seja possível sentar à mesma mesa a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), a ENB, a Liga, as associações e corpos de bombeiros e as autarquias para que essa mesma instrução possa ser planeada de forma atempada e organizada com o objetivo de prevenirmos as situações mais perigosas das florestas e, em simultâneo, podermos contribuir com formação em fogo real, nas épocas em que isto possa ser feito.

BP – Mas não admite que os corpos de bombeiros possam ver nessa medida uma intromissão naquela que é a gestão operacional de cada cb?

JF – Situações excecionais implicam medidas excecionais e é preciso corrigir alguma coisa. Não estou a dizer com isto que está tudo mal, que falta tudo, que nada é feito… essa é a política de quem não quer  contribuir para a discussão. Participar é, de forma fria, serena e com conhecimento, colocar no prato da balança tudo o que aconteceu e avaliar o que pode ser melhorado. Se concluímos que esta medida que envolve todos é melhor para o sucesso dos bombeiros, então há que avançar. A ideia é poder fazer prevenção nas zonas mais criticas na área de atuação de cada CB e poder contribuir para a formação de combate em cenário real. Na formação dos incêndios industriais, os bombeiros enfrentam cenário reais dentro dos contentores onde percebem como esse mesmo fogo se desenvolve. Nos incêndios florestais
não temos isso e julgo que esta formação deve ser o mais real possível.

BP – Temos visto pelas imagens das televisões combatentes e viaturas a meia encosta, a tentar travar frentes de fogo que se sabe não é possível travar. A pressão mediática, social e operacional exercida sobre estes homens leva-os de alguma forma a fazerem coisas que a própria formação desaconselha?

JF – Concordo quando diz que a própria formação desaconselha. Aqueles homens e mulheres estão claramente sujeitos a uma pressão enorme e nós temos consciência que no âmbito da formação que tem vindo a ser ministrada, esta componente do comportamento, da motivação e da liderança têm vindo a ser transmitida na área da formação que a Escola ministra. Agora, estamos há semanas com este tema na comunicação social, o dispositivo está desgastado, e naturalmente a situação de stresse tem tendência a aumentar.

BP – Começa a faltar lucidez?

JF – Admito que sim e por isso acho que é urgente sentarmo-nos à mesa para refletir sobre o que se está a passar e para que adotemos as medidas necessárias.

BP – Nos últimos dias tornou pública a intenção de criar um curso específico para a segurança na frente de fogo? Era residual o ensinamento nesta vertente? Qual a razão desta necessidade?

JF – Essa matéria já é ministrada nos cursos mas há que fazer ajustes. Como sabe está em revisão o Despacho 713 (documento enquadrador da formação) e o futuro texto aponta para algumas mudanças na metodologia a que estávamos habituados. Nesse diploma, introduzimos, em matéria de ações de aperfeiçoamento técnico, um novo módulo designado por “Segurança e Comportamento do Incêndio Florestal”. Não é o comportamento do bombeiro que está em causa, mas antes a necessidade de perceber como é que o fogo se está a comportar para que cada bombeiro possa atuar em segurança. A lógica desse novo módulo, que está a ser trabalhado por uma equipa específica para o efeito, deverá começar a ser ministrado para os quadros de comando, chefes de equipa e chefes de combate.

BP – A ANPC já pediu cursos para os novos elementos da estrutura que tomaram posse recentemente, sendo que alguns deles têm origem em área completamente diferentes?

JF – Os elementos da estrutura operacional da ANPC tem longos anos de experiência...

BP – A maioria tem, mas há exceções. Não acha que eles também deviam vir à Escola para atualizar conhecimentos?

JF – Diria isto. Tal como ainda hoje é exigido a um elemento, com determinadas características, que tenha de fazer o curso de quadros de comando para que possa ser comandante, talvez a frequência de um curso de quadros de comando dirigida a alguns elementos da estrutura da ANPC não fosse desajustada. Não digo mais.

BP – O trabalho dos bombeiros assenta muito em vários lemas: “Vida por viva”, “Podemos não voltar mas vamos”… Não haverá aqui também uma questão de cultura que carece de mudança?

JF – Infelizmente a história mostra-nos que não é a primeira vez que acontecem tragédias destas.



BP – Mas a história também existe para tirar lições e continuam a morrer bombeiros…

JF – Exatamente, e hoje as condições até são outras, bem melhores. Nesta problemática há que pensar que há um fator que eu domino – os recursos humanos e matérias. Há outro que não dominado mas que conheço-o razoavelmente, o péssimo estado da nossa floresta. Por último, há um fator, o pior de todos, que não domino e desconheço – as oscilações constantes dos fatores meteorológicos. Julgo que tudo isto deve ser levado em conta e devemos servirmo-nos de quem tem esses conhecimentos científicos para que possamos lidar melhor com esse grande ‘inimigo’.

BP – Mas não acha que os bombeiros deviam pensar duas vezes antes de enfrentar situações que se percebe podem por a vida deles em risco por meia dúzia de árvores?

JF – (sorrisos) Há uns dias disse isso mesmo a um colega seu e ele não aceitou bem. Mas eu repito. Mais metro quadrado, menos metro quadrado, há situações em que não se justiça o combate direto a não ser em situações limite que possam colocar vidas em risco.

BP – Enquanto dirigente da Liga foi sempre muito crítico relativamente à formação ministrada aos bombeiros. Ao tomar contacto direto com os diferentes dossiês mudou de alguma forma a sua opinião? Que Escola encontrou?

JF – Gostaria de realçar que a equipa que me antecedeu fez um bom trabalho em alguns aspetos. Encontrei uma casa que do ponto de vista administrativo e financeiro e ao nível dos recursos humanos, é uma casa bem gerida, mas ao nível da formação, que é a razão da sua existência, encontrei uma casa um pouco anárquica.

BP – Mas como isto não é uma repartição de finanças, pergunto-lhe se a Escola está a cumprir o seu objetivo?

JF – Cumpria com imensas insuficiências. Sempre defendi, e continuarei a defender, que só deve vir à Escola quem precisa mesmo de vir. A verdadeira formação tem de estar no local próprio, ou seja nos quartéis mas disso falaremos mais à frente. Encontrei um sistema informático que não dá as respostas que precisamos que, por exemplo, não cruza dados com o Recenseamento Nacional de Bombeiros. Este mesmo sistema não permitia que os comandantes distritais pudessem organizar as turmas, evitando burocracia e papelada. Encontrei um sistema de levantamento dos recursos humanos, manifestamente desatualizado. Algum caos burocrático instalado e sobre isto digo-lhe que temos dossiês técnico- pedagógicos que vêm de 2010. Temos mais de três mil processos por encerrar o que justifica as muitas queixas dos bombeiros que denunciam que não recebem os certificados. Temos 30 mil certificados por emitir o que é inconcebível. Tudo isto está a ser tratado e vai mudar.

BP – E sobre aquela que é a razão de existência desta casa, a formação?

JF – Tenho um conjunto de formadores bastante interessante, com excelentes profissionais. A nossa postura vai no sentido de pedir a colaboração com os melhores especialistas em determinadas áreas e por isso contratamos o homem que mais sabe de matérias perigosas no nosso país. Recrutei também recentemente um formador para a área de salvamento em grande ângulo, outro para a área dos incêndios industriais e urbanos, entre outros que vamos contratar.

BP – É uma Escola mais real?

JF – É e vou dar-lhe um exemplo. A Escola vai deixar de ter horário de repartição pública.Já entreguei, há cerca de um mês, na Autoridade para as Condições de Trabalho, um dossiê para que possamos alargar o horário de funcionamento desta casa. Esta casa vai trabalhar de domingo a domingo, se necessário ao sábado e domingo, e até depois das 22 horas para poder servir os seus clientes. A Escola serve para dar resposta, não ao funcionário que trabalha das 9h00 às 17h00, mas sim ao bombeiro que aqui vem, principalmente, à noite e aos fins de semana. Também já alteramos o regulamento de recrutamento de formadores para a ENB. Os formadores não são formadores da Escola, em primeiro lugar são formadores dos corpos de bombeiros e têm de dar formação gratuita ao seu corpo de bombeiros. Não aceito que deem formação fora do seu CB à revelia do comandante ou da Escola.

BP – Havia casos desses?

JF – Havia mas vão acabar porque quem continuar a fazer isso será suspenso da bolsa de formadores da Escola, ponto final parágrafo, nem há discussão. Também o Código Deontológico dos formadores foi alterado porque não basta ter direitos, também há deveres. Ou seja, há aqui todo um processo de mudança. Dou-lhe outro exemplo. Esta Escola estava organizada em três departamentos: assuntos financeiros, recursos humanos e formação. De acordo com o novo organigrama já aprovado, a Escola passará a ter três direções, sendo que o presidente coordena todas, obviamente. Os assuntos financeiros e recursos humanos ficam comigo. Foi criada uma Direção de Planeamento que tratará das turmas, horários, emissão de certificados, etc. Ou seja, mecânica de formação. Terceira, Direção Pedagógica que não existia e destina-se a ‘pensar bombeiros’: estruturação da formação, cursos, conteúdos, entre outras matérias. Pretendo ainda retomar o Conselho Técnico Pedagógico, que reuniu pela última vez em 2008. Precisamos de ter cidadãos de áreas e saberes diversos, os melhores, que possam ajudar a melhorar o que se faz aqui.

BP – Na tomada de posse, assumiu a elaboração de um Plano Estratégico até outubro. Como está a decorrer este trabalho. O que é mais premente na sua opinião?

JF – Tal como anunciei no discurso de posse, já foi apresentada uma Carta de Missão aos nossos parceiros (ANPC e LBP), na última reunião da Assembleia Geral. O Plano Estratégico que refere estará concluído até ao final do ano. Não poderá ser em outubro porque a situação que encontrei é mais complexa do que imaginava quando assumi funções. De referir também que este Plano Estratégico só poderá vingar se for republicado o mais rápido possível o Despacho 713 (documento enquadrador da formação de bombeiros) com as alterações que se pretendem. Dou-lhe um exemplo, a formação de um elemento do quadro de comando, que não venha de carreira. Ele tem de ter a formação inicial, básica, para poder assumir o mínimo de responsabilidades dentro da sua área de atuação, e todos têm de estar preparados para isso. O que nós pretendemos é que qualquer preponente a quadro de comando seja obrigado a partir da estaca zero, através de ações de aperfeiçoamento técnico as quais lhe permitam ter conhecimentos para desempenhar funções de maior responsabilidade.

BP – Há aqui uma revolução?

JF – E é precisa. Até aqui os comandantes comunicavam até 30 de outubro aos CODIS as suas  necessidades de formação. Os CODIS comunicavam á Direção Nacional de Bombeiros a qual comunicava depois à Escola que via como podia responder. Depois o circuito era retomado em sentido inverso. Ou seja, quando todo este processo chegava ao fim já a Escola tinha aprovado o seu orçamento e plano de atividades. Com tudo isto, começávamos a trabalhar num plano de atividades sem ter resposta financeira e organizacional correspondente. Isto vai ter de ser alterado e quando os processos chegarem à Escola têm de estar previamente validados e filtrados para que se travem alguns excessos dos que têm ‘mais olhos que barriga’. Outra questão, a plataforma de inscrições deixará de estar constantemente aberta, pois haverá períodos certos para essas inscrições. Espero que a partir de janeiro tudo comece a funcionar em moldes completamente diferentes.

BP – Falou também na necessidade de descentralização máxima da formação, uma realidade que já acontece segundo os seus antecessores. O que está ser praticado é insuficiente?

JF – Antes de mais digo-lhe que na minha opinião a estrutura que mais e melhor foi assumida pelo subconsciente dos bombeiros portugueses foi a da divisão das zonas operacionais. A minha ideia é retomar essa mesma estrutura para efeitos de formação, designando-a por zonas formativas pois ninguém me impede de o fazer. E com base nesta geografia, o meu objetivo é o de que cada zona formativa tenha pelo menos em cada área um formador por cada 150 homens. Se esses formadores estiverem nos corpos de bombeiros, melhor.

BP – É um dado adquirido que há excessos em alguns lados e défices noutros. Como se compensa isto?

JF – Muito simples. Vamos abrir um recrutamento de formadores para diversas áreas em função do levantamento que foi entretanto feito e das necessidades detetadas. Reforço o objetivo, um formador por cada 150 homens. Depois, há obviamente momentos em que é conveniente e necessário vir à Escola, seja a Sintra, a Lousã ou São João da Madeira.

BP – Está preocupado com as fontes de financiamento. A Escola é viável financeiramente ao dia de
hoje?

JF – Esta casa não existe para dar lucro e o apelo que faço ao dia de hoje é que não nos retirem orçamento, um pedido que aliás já fiz ao ministro da Administração Interna. No que concerne à formação o POPH (programa comunitário) tem sido um excelente auxiliar e os recursos que advêm da nossa gestão são também importantes. Esta Escola dinamiza uma área, que é um excelente contributo financeiro, a formação de empresas e agentes de proteção civil. Até julho, faturamos mais de 340 mil euros em formação a empresas. Esta verba, que será reinvestida cá dentro, é realizada com formadores que nada têm a ver com a formação que é ministrada aos bombeiros. Que fique bem claro que os bombeiros não são prejudicados em nada com esta nossa função exterior. Dos 19 milhões de euros que constituem o orçamento anual da Escola, cerca de 12 milhões servem para pagar a parceria que temos com a ANPC relativamente às denominadas unidades orgânicas, nomeadamente a FEB, operadores e Gabinete Técnico-Operacional. Em termos práticos, ficamos com seis a sete milhões. Tudo isto para lhe dizer que do ponto de vista financeiro, a casa está estabilizada.

BP – E a apresentação de projetos ao POVT para melhoramentos das infraestruturas? Conseguiu que a tutela lhe abrisse essa porta?

JF – Sim, posso dizer-lhe que estão já programados melhoramento no polo da Lousã e em São João da Madeira. Já quanto à sede, a situação é mais complicada pois este edifício é muito interessante mas requer muita manutenção. A isto temos de associar ainda a construção do tão falado campo de treinos. O projeto que existia foi por nós questionado por entendermos que a sua dimensão para a realidade portuguesa não era de alguma forma razoável, era excessivo a nosso ver e por isso e resolvemos por isso reavaliar o projeto. No total precisamos de um milhão de euros e vamos ver como é possível já que o atual quadro comunitário está a chegar ao fim e aguardamos a abertura de um novo quadro de apoio.

BP – O MAI garante que está a tratar da situação laboral dos elementos da ANPC que estão vinculados à ENB. Quando tomou posse assumiu que este seria um dos seus temas de rutura. Qual é o prazo que dá?

JF – Se dependesse de mim terminaria hoje. Como sabe na Lei Orgânica da ANPC consta um artigo que permite encontrar uma solução própria para a FEB. Mas, relativamente Às outras duas áreas a situação é bem mais complicada. Inicialmente estava previsto que a escola pudesse fazer a migração legal desses elementos para as estruturas da ANPC mas, como também sabe, terá havido problemas com o Ministério das Finanças o que faz com que tenha ficado tudo na mesma. Teremos que pensar bem nesta questão e por exemplo perceber como podermos rentabilizar melhor estas estruturas. Em jeito de conclusão, digo-lhe que enquanto for presidente desta casa a Escola servirá o objetivo único para o qual foi criada, a formação até porque esta casa tem dois sócios perante os quais teremos de responder num trabalho conjunto.

BP – Há uma opinião recorrente, a de que a Escola tem funcionários a mais. É verdade?

JF – Perante o caos informático que encontrei, garanto-lhe que a Escola não tem funcionários a mais. Posso dizer-lhe que, enquanto a situação informática não estiver resolvida, porque vai demorar algum tempo, tenho aqui sete funcionários que contratei através do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Esta é a única forma de limpar três anos de atraso. A isto, junta-se o trabalho administrativo que a Escola tem com os cerca de 600 funcionários da ANP e os 79 funcionários da Escola, sendo que todo este trabalho é  assegurado por apenas três pessoas. Por outro lado, há áreas como a dos formadores onde é preciso investir e recrutar pessoas, um processo que aliás já começou na lógica da descentralização.

BP – A Escola vai entrar em processo de Certificação de Qualidade. Como é que isto está a ser feito?

JF – Como não se pode fazer tudo ao mesmo, a partir de outubro iniciaremos a certificação de qualidade do departamento de formação e para recrutámos um técnico para nos ajudar a perceber onde podemos melhorar e o que precisamos de fazer para corrigir eventuais erros. Já agora gostaria de lhe dizer que todas as pessoas que temos contratado são pessoas ligadas aos bombeiros.

BP – Qual o ponto de situação da auditoria das finanças à ENB?

JF – Sei que auditoria está em curso e mais do que isto não sei.

Entrevista: Patrícia Cerdeira
Fotos: Marques Valentim
Fonte: Jornal Bombeiros de Portugal Setembro

sábado, 12 de outubro de 2013

LANÇAMENTO DO VIDEOCLIP: SOLDADO DA PAZ - ESTA NOITE

NA NOITE DE SÁBADO PARA DOMINGO, VENHA ASSISTIR AO LANÇAMENTO DO VIDEOCLIP: SOLDADO DA PAZ, NO BAR LAGOA AZUL, EM BRAGANÇA FESTA DO SOLDADO DA PAZ. LAGOA AZUL, ESTA NOITE, VEM TER CONNOSCO!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

VÍTIMAS DE INCÊNDIOS FLORESTAIS: 'MEIOS E JUVENTUDE NÃO SÃO A CAUSA DOS ACIDENTES MORTAIS' - JOSÉ BISMARK.

O responsável pelo Centro Distrital de Operações e Socorro do Distrito de Aveiro (CDOS) considera que os acidentes com vítimas mortais no combate a incêndios florestais em Portugal "não podem ser justificados com a juventude de muitas das vítimas".

Para o comandante José Bismark essa é uma teoria que alguns defendem a propósito das oito mortes na floresta nacional no Verão. "Os acidentes não estão relacionados com a idade dos Bombeiros. Poderia estar se lhe pudéssemos imputar falta de experiência, porque falta de conhecimento não há. A falta de experiência estaria na decisão deles. Ora, todos os Bombeiros falecidos não tinham poder de decisão. Estavam a receber ordens. O equipamento de protecção individual estava a ser usado por todos eles", disse na Rádio Terra Nova.

José Bismark diz que a juventude e os meios "não podem ser apontados" como causa de acidentes com vítimas no combate a incêndios.
fonte:Radioterranova

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

INEM pode retirar helicóptero de Macedo de Cavaleiros

Os autarcas do Distrito de Bragança perderam o recurso para anular a decisão judicial que permite ao INEM retirar o helicóptero de emergência médica de Macedo de Cavaleiros.

Num acórdão de 27 de setembro, a que Lusa teve acesso, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) não admitiu a revista excecional da anterior decisão do Tribunal Central Administrativo (TCA) do Norte, que rejeita a providência cautelar com que os autarcas pretendiam impedir a retirada do meio aéreo.

As ações judiciais conjuntas dos 12 presidentes de câmara do distrito de Bragança conseguiram adiar por um ano a deslocalização do helicóptero de Macedo de Cavaleiros para Vila Real.
A Lusa contactou o gabinete de comunicação do INEM que remeteu para mais tarde uma reação à nova decisão judicial.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Aires Ferreira, que protagonizou a luta regional contra a retirada do meio aéreo, não quis comentar, alegando que está de saída do cargo.
A Lusa tentou contactar também sem sucesso o advogado dos autarcas.
Fonte:DN

Bombeiros de Bragança defendem Unidade Militar de Emergências

São parceiros há cerca de nove anos e trocam experiências em teatros de operações. A corporação de bombeiros de Bragança e a Unidade Militar de Emergências de León, em Espanha, já realizaram exercícios conjuntos nos dois lados da fronteira e planeiam organizar mais acções para testar os meios disponíveis.  

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança, José Fernandes, garante que esta troca de experiências é fundamental para uma intervenção mais rápida e eficaz nas várias áreas de actuação dos soldados da paz. “Sobretudo aprendemos muito com eles, porque estamos a falar de uma grande unidade, totalmente autónoma, que pode actuar em qualquer teatro de operações e por si ela tem tudo em termos de logística. Já houve ocasião de fazermos exercícios em Bragança, nomeadamente na ponte do Sabor, e também já tivemos oportunidade de participar com eles num exercício num túnel ferroviário. Há todo o interesse da nossa parte e também da parte deles em trocar experiências e trocar ensinamentos e também criar relações porque encontramo-nos muitas vezes na fronteira nos incêndios e um dia destes pode ser noutra situação”, salienta o comandante.     

A mesma posição é partilhada pelo comandante do Batalhão de Intervenção em Emergências da Unidade Militar de Emergências de León, em Espanha. O tenente coronel Juan Carlos Sorazu lembra que os exercícios conjuntos ajudam a operacionalizar os meios no terreno.“É fundamental que haja coordenação entre diferentes unidades, porque há acordos de cooperação entre Espanha e Portugal, por exemplo em relação aos fogos florestais. E para isso é necessário fazer exercícios conjuntos. Já estivemos em exercícios em Portugal e também realizamos exercícios em Espanha”, realça o tenente coronel.

A Unidade Militar de Emergências de León tem ao serviço cerca de 600 militares especializados para actuar em situações de catástrofe. Para José Fernandes faz cada vez mais sentido criar uma unidade destas em Portugal. “Eles conseguem actuar em qualquer acidente, em qualquer catástrofe em qualquer local do território de Espanha. Estamos a falar de profissionais a tempo inteiro. Nós ainda temos um percurso muito grande para chegar ao nível deles. Nós temos o voluntário como tradição e o voluntariado é muito importante, mas por vezes o socorro não pode estar à espera de quem despende do seu tempo livre para socorrer os outros. Acho que o meio termos é importante”, defende José Fernandes. 

Uma comitiva dos bombeiros de Bragança participou esta segunda-feira nas cerimónias em honra de Nossa Senhora do Rosário, a padroeira do Batalhão de Intervenção em Emergências, em León.

O próximo encontro está previsto para 8 de Dezembro, em Bragança, nas comemorações em honra de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira da corporação de Bragança.

Espanha Regista 7.700 Incêndios Florestais Este Ano, Valor Mais Baixo em 10 Anos

Espanha registou um total de 7.682 incêndios florestais este ano, valor mais baixo dos últimos dez anos e uma queda de mais de 40 por cento face à média registada nessa década, anunciou o Governo.

O subsecretário do Interior, Luis Aguilera, afirmou no Congresso de Deputados que a média nos últimos dez anos foi de 12.881 incêndios neste
período.

Este ano os incêndios destruíram uma superfície de 40.521 hectares, menos de metade dos 109.000 hectares arrasados em 2012.

Destacando a melhoria de resultados e saudando o trabalho da Unidade Militar de Emergências (UME) na extinção de incêndios, Aguilera recordou que em 2012 faleceram 14 pessoas devido aos incêndios e que este ano não houve qualquer vítima a lamentar.
Fonte: ASP // APN | Lusa/Fim

Falha humana poderá custar um milhão de euros aos contribuintes

As autoridades aeronáuticas estão a investigar um incidente ocorrido com um helicóptero Kamov, em agosto, que poderá ter resultado de falha humana e irá custar mais de um milhão de euros aos contribuintes.
No dia 28 de agosto, 35 segundos após descolar do heliporto de Santa Comba Dão, um helicóptero Kamov, da EMA (Empresa de Meios Aéreos, detida pelo Estado), que se preparava para combater incêndios, teve uma inesperada falha de motor. A tripulação, de acordo com o relatório do Gabinete de Segurança de Voo, demorou 15 segundos a reagir - "tempo demasiado longo", na opinião de especialistas ouvidos pelo JN - e terá "forçado" de tal maneira o segundo motor que, quando o aparelho aterrou, em Viseu, já não levantou mais voo. Uma caixa de transmissão e um motor novos custam mais de um milhão de euros.

O relatório sumário do incidente (RSI), a que o JN teve acesso, elogia a forma expedita como o piloto e o copiloto conseguiram conduzir o Kamov, quase 19 minutos, até à pista de Viseu, aterrando em segurança. Mas, por outro lado, revela medidas adotadas pela tripulação que, conforme explicaram ao JN alguns pilotos seniores e com milhares de horas de voo, poderão ter sido motivo de "problemas graves" que se vieram mais tarde a detetar numa análise ao motor e à caixa de transmissão.

"O que o RSI demonstra é que, ao ser surpreendida com a falência de um dos dois motores, a tripulação, porventura algo nervosa, aumentou a velocidade e terá havido excesso de pedido de potência ao motor que estava bom. Este terá dado o máximo que pôde e acabou por sofrer danos que o impedem agora de voar, de acordo com o que os técnicos apuraram ao ler o FDR (Flight Data Recorder)", disse, ao JN, um piloto de topo de carreira.

Este mesmo piloto e um outro também sénior asseguram que "a leitura do RSI demonstra que os procedimentos da tripulação terão sido feitos ao contrário".

"É minha convicção de que estiveram no limiar de uma catástrofe, de se despenharem", afirma o primeiro piloto. Já o segundo lembra que a saída do heliporto de Santa Comba Dão fica a escassos metros da feira local. "Se fosse em dia de feira e a coisa tivesse dado para o torto, era uma tragédia", sublinha.

Segundo apurou o JN, o comandante do Kamov de Santa Comba Dão ultrapassou, três dias antes do acidente, o limite das oito horas de voo diário permitido por Lei. "Poderia estar cansado e com excesso de fadiga", admitiu, ao JN, um prestigiado piloto, muito experiente no combate a fogos, razão pela qual vinca que "trabalhar oito horas a combater incêndios é muitíssimo mais desgastante do que fazer o mesmo tempo, por exemplo, a transportar doentes". Por outro lado, o comandante da aeronave, apesar de atualmente ser diretor de formação e treino, não terá voado muito regularmente durante os cerca de 18 anos em que foi inspetor do Instituto Nacional de Aviação Civil.

Já sobre o copiloto há uma outra questão que pode suscitar críticas. É que este terá estado mais de dois anos sem voar. "É um major que vem fazer umas horas à EMA porque no Exército não têm helicópteros", explicou uma fonte da Empresa de Meios Aéreos.

A EMA e o ministro da Administração Interna escudaram-se no "segredo da investigação em curso" para não responderem às questões do JN: qual o valor da reparação do helicóptero e quem a vai pagar? A tripulação vai ser alvo de inquérito disciplinar?

Já o Instituto Nacional da Avião Civil optou por não dar qualquer resposta.

Quercus acusa entidades oficiais de negligência nos fogos florestais

A Quercus responsabilizou hoje o Governo, o Instituto de Conservação da Natureza e os municípios pela "negligência no cumprimento das políticas florestais" e de ordenamento do território, considerando que agravou a propagação dos fogos e provocou elevados prejuízos.

No balanço do período crítico de defesa da floresta contra incêndios, que terminou em setembro, a associação de defesa do ambiente refere que "o deficiente cumprimento da legislação de defesa da floresta contra incêndios, bem como a negligência e o laxismo das administrações locais e central relativamente a este tema, tem agravado o problema da propagação dos fogos florestais em Portugal, com elevados prejuízos ambientais, materiais e humanos".

Por isso, considera "fundamental o apuramento de responsabilidades" e recorda ter apresentado uma queixa à Procuradoria-Geral da República, no início de agosto.

A associação salienta ter alertado o ICNF, a Secretaria de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural e os Ministérios da Agricultura e do Ambiente para a necessidade de serem aprovadas políticas públicas de longo prazo promotoras da gestão sustentável da floresta, mas, "em sentido contrário, o atual Governo fez aprovar um inaceitável regime de arborização, indutor do desordenamento, da expansão dos eucaliptais e da propagação dos incêndios florestais com elevado risco para pessoas e bens".

Até 01 de outubro, arderam 134.810 hectares de floresta, 50.586 hectares em povoamentos e 84.378 hectares em matos, segundo relatório provisório do ICNF, citado pela Quercus.

A Quercus clarifica que parte dos 84.378 hectares considerados de "matos" são áreas florestais em regeneração natural após corte raso ou resultante de incêndios anteriores, onde existem jovens árvores junto à vegetação arbustiva, as quais constituem potenciais novos povoamentos.

Relevante, pela negativa, segundo a Quercus, é "a falta de investimento em ações de prevenção e no fomento florestal, sendo hoje claro o desajustamento dos programas e mecanismos de apoio ao setor florestal e à defesa das florestas contra os fogos, como o PRODER e o Fundo Florestal Permanente, face à realidade da floresta portuguesa".

Apesar de reconhecer a dificuldade na implementação de algumas medidas, a Quercus defende que existem algumas melhorias a executar, como o aumento da execução das faixas de gestão de combustível junto de caminhos e estradas, a gestão da paisagem em mosaico, a promoção do pastoreio para reduzir o combustível e continuidade dos povoamentos florestais.

"Na maioria das situações de proximidade dos espaços florestais com áreas urbanas não tem sido executada a gestão de combustíveis com o corte de vegetação junto das localidades, habitações e outras edificações, num raio de 50 metros, aumentando assim as situações de risco", realça a associação.

A Quercus recorda que as autarquias têm a obrigação legal de elaborar e cumprir o Plano Municipal de Defesa de Florestas Contra Incêndios (PMDFCI) e o Plano Operacional Municipal (POM), "o que tem sido negligenciado na maioria dos municípios nacionais".

Segundo os ambientalistas, O ICNF também "tem descurado" as suas responsabilidades de coordenação das ações de prevenção estrutural, nomeadamente pelo planeamento e a organização do território florestal, incluindo a gestão de aceiros.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Atividade Juvebombeiro Sertã


Atividade Juvebombeiro Cruz Branca


GNR alerta para regras do transporte escolar

A GNR de Bragança está a levar a cabo uma acção de sensibilização sobre as regras do transporte escolar.Depois do arranque do novo ano lectivo, as autoridades entendem que é preciso alertar os pais, mas sobretudo os taxistas e empresas de transporte escolar para o cumprimento das regras de segurança.  Foi com este objectivo que os responsáveis pelos Programas Especiais da GNR estiveram ontem na escola primária de Rebordãos, em Bragança.“Os miúdos passam muito tempo dentro dos transportes escolares e com esta acção procuramos garantir o seu conforto transmitindo alguns conselhos aos transportadores sobre os sistemas de retenção das crianças e da segurança dos próprios veículos”, refere o cabo José Rodrigues, assegurando que “regra geral as crianças estão a ser bem transportadas”.Um dos motoristas da empresa que faz o transporte escolar em Bragança considera benéfica esta acção da GNR.“Já que as crianças têm de ser deslocadas, têm de ser bem transportadas e por isso estes conselhos são muito úteis”, afirma Nelson Esteves, acrescentando que “nós costumamos cumprir as regras de seguranças embora por vezes não tenhamos toda a informação mas quando não estamos a 100% procuramos adequar-nos”.As crianças também estavam alertadas para a necessidade do uso do cinto de segurança.“Eu ponho sempre o cinto porque o polícia pode prender-nos”, diz a pequena Joana. Também a Mariana tinha colocado o dispositivo de segurança “porque os senhores nos dizem para pôr”, enquanto o Miguel considera que “o autocarro pode travar de repente e é para nós não cairmos”.
Esta iniciativa foi patrocinada pela Glassdrive de Bragança que distribuiu material escolar às crianças.

Nova Presidente do INEM é Regina Pimentel, Actual Directora do Instituto em Coimbra

Natural de Coimbra, Regina Pimentel é licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Coimbra, com especialidade em Medicina Geral e Familiar.

Regina Pimentel, atual diretora do INEM na região centro, é a nova presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica, substituindo no cargo Miguel Soares de Oliveira, segundo fonte do Ministério da Saúde.

Natural de Coimbra, Regina Pimentel é licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Coimbra, com especialidade em Medicina Geral e Familiar.

Na área da emergência médica, Regina Pimentel desempenhou funções operacionais enquanto médica de Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e Viatura Médica de Emergência e Reanimação.

Desde 2007 que é a representante do INEM na região Centro.

A nomeação de Regina Pimentel para substituir Miguel Soares de Oliveira à frente do INEM é feita em regime de substituição, o que não dispensa a abertura de concurso, o qual vai acontecer brevemente, segundo o Ministério da Saúde.

Miguel Soares de Oliveira era presidente do INEM desde 2010, tendo terminado a sua comissão de serviços no domingo passado, mantendo-se em funções até Regina Pimentel tomar posse.

*Este artigo foi escrito ao  abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Incendio em Quartel de Bombeiros na França

Um incêndio de origem desconhecida irrompeu num corpo de bombeiros de Doubs, destruindo quatro veículos dos bombeiros.

O incêndio deu-se na noite de quarta-feira para quinta-feira, 3 de outubro, no corpo de bombeiros de Doubs , tendo destruído quatro veículos dos bombeiros e o parque. 

O fogo começou pelas 23 horas na garagem do quartel localizado em Saone, a 10 quilômetros de Besançon. As chamas atingiram 500 m2 de construção de uma estrutura metálica, disseram as mesmas fontes. 

Quatro veículos foram totalmente destruídos e os bombeiros, que usaram quatro mangueiras de incêndio para controlar o fogo, conseguiram ainda retirar uma ambulância do fogo.

 Um bombeiro que interveio no combate às chamas ficou ligeiramente intoxicado pelo fumo. 

As operações de demolição deve começar na parte da manhã. O quartel está fechado e os alertas estão a ser reencaminhados para os corpos de bombeiros vizinhos.

INEM pelos caminhos de Portugal…

Guimarães, Coimbra, Lisboa, Sacavém, Seixal, Arouca, Ponte da Barca, Alcanena e Sátão. O que é que estas cidades têm em comum?

Além de serem municípios que merecem uma visita, têm desde o passado dia 1 de outubro novas ambulâncias do INEM em funcionamento.

O INEM passou assim a contar com:
56 Ambulâncias de Emergência Médica operadas diretamente pelo INEM


265 Ambulâncias de Socorro sediadas em Corpos de Bombeiros


8 Motociclos de Emergência


37 Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida


42 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação


5 Helicópteros de Emergência, 2 dos quais utilizados em modelo de partilha com a Autoridade Nacional de Proteção Civil e um outro que, sem equipa médica, permite ao INEM ir aos locais das ocorrências e, se necessário, trazer a vítima com a equipa INEM terrestre para o Hospital de destino.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Tempestade Causou Pânico Por Instantes


Uma forte trovoada abateu-se esta noite sobre Bragança.

O ribombar dos trovões, os ventos fortes e a chuva forte ao longo de 15 minutos assustou alguns brigantinos, mas passou sem causar danos na cidade de Bragança.

A forte tromba de água chegou a causar problemas momentâneos na circulação, tendo alagado zonas habituais de concentração de água, ao qual o escoamento não terá sido suficiente. Em S. Pedro de Serracenos chegou até a levar parte de uma calçada.


Já o vento, conseguiu derrubar alguns outdoors e partir pequenos ramos de árvores, mas sem causar grandes danos.

Os relâmpagos, que assustaram muita gente, deixaram-nos com a espectacularidade habitual, deste fenómeno da natureza, levando vários internautas a conversar sobre este fenómeno nas redes sociais.

GNR passou mais de duas mil multas

A GNR deteve este ano 40 pessoas pelo crime de incêndio florestal e aplicou 2.007 multas relacionadas com a defesa da floresta, sendo a maior parte por falta de limpeza da vegetação, indicou hoje aquela força de segurança.

Numa nota para divulgar a sua atividade operacional no âmbito do combate aos fogos, a Guarda Nacional Republicana adianta que, entre janeiro e 30 de setembro, deteve 40 pessoas em flagrante delito pelo crime de incêndio florestal e identificou 486 suspeitos.

Desde o início do ano, a GNR levantou 2.007 autos de contra-ordenação relacionados com a defesa da floresta contra os incêndios, sendo a maior parte relativos à falta de limpeza da vegetação junto a habitações, equipamento e infraestruturas e a adoção de comportamentos de risco ligados ao uso de fogo.

A GNR registou ainda 4.040 autos de notícia relativos ao crime de incêndio.

Integrados no Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Florestais (DECIF), 665 militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR realizam 4.543 missões helitransportadas de combate em primeira intervenção, com uma percentagem de sucesso de 97,25 por cento, adianta a nota da corporação.

No âmbito do DECIF, os 665 militares guarneceram 21 helicópteros, ligeiros e médios, com equipas de cinco e oito militares.

A época mais crítica em incêndios florestais terminou na segunda-feira com mais de 120 mil hectares de área ardida, a maior dos últimos três anos, e nove mortos, oito dos quais bombeiros.
fonte:TVi24

Há Mais Incendiários e São Cada Vez Mais Novos

Apesar de muito se falar de redes de interesses que provocam incêndios por razões financeiras, a Polícia Judiciária não encontra indícios nesse sentido. 

As autoridades detiveram este Verão 111 pessoas por suspeita de fogo posto. É o segundo valor mais elevado dos últimos dez anos.

A Polícia Judiciária e a GNR concluem que o perfil do incendiário se mantém semelhante aos anos anteriores, mas com uma alteração significativa: são detidos suspeitos cada vez mais jovens.

“Identificámos oito ou dez menores como autores de fogo posto, rapazes com menos de 16 anos, que não são responsáveis criminalmente, como autores de incêndios. Pensamos que há um número anormal de menores nessas circunstâncias, normalmente apresentam como motivação algum fenómeno de mimetismo, por terem visto imagens que lhes sugestionou também”, explica à Renascença Rui Almeida, responsável pela directoria do Centro da Polícia Judiciária.

“Para além disso também encontrámos meia dúzia de casos de adolescentes maiores de 16 anos, já penalmente responsáveis, que também colocaram incêndios, um número também um bocado elevado relativamente a anos passados. Aqui estamos mais numa motivação de alguma revolta”, diz ainda.

Apesar do que se fala, por detrás destes casos não estão interesses económicos. É pelo menos essa a convicção da Judiciária: “A polícia aloca à investigação dos incêndios todo o arsenal de conhecimentos, em termos técnicos, humanos e materiais. Não obstante todo este investimento a PJ não encontra essas chamadas redes. Essas situações que o cidadão comum refere não aparecem de facto nos inquéritos”.

Com quase 130 mil hectares ardidos e mais de 20 mil incêndios, o ano foi trágico e reavivou o debate sobre o estado da floresta, as estratégias de combate, e o comportamento de risco dos portugueses. Mas o que ficará como marca do ano são as consequências humanas e, sobretudo, o luto que se instalou no dispositivo dos bombeiros.

Oito mortos, cerca de 60 feridos, três deles ainda internados, a que se junta a morte de três civis em cenários de incêndio.
Fonte: RR

Casa ameaça ruir na zona histórica

derrocada.jpgUma habitante da zona histórica de Bragança está indignada com o estado de degradação em que se encontra uma habitação contígua à sua, na Rua Direita, que ameaça ruir.

Este sábado, Luísa Almendra, deparou-se com pedras caídas na sua propriedade e teme que aconteça o pior.“Abriu uma grande fenda e a parede vai cair para cima da minha casa. Temos tido vários problemas, os construtores dizem-me várias vezes que encontram pedras na minha propriedade. Já me dirigi algumas vezes à Câmara, já me dirigi à proprietária, e foi preciso que acontecesse este incidente, para se perceber que estamos em perigo”, conta esta habitante em Bragança.A proprietária do n.º 41 pede às autoridades que tomem medidas para evitar uma tragédia e lembra que no centro histórico há várias casas abandonadas que põem em risco a segurança das pessoas.“Eu queria que situações como esta fossem tomadas muito a sério. Há muitas casas em perigo. E depois não vale a pena dizer ‘coitadinho que morreu debaixo de uma parede’. Vamos fazer aquilo que é necessário”, alerta a proprietária.

Contactada pela Brigantia, a Câmara Municipal de Bragança (CMB) informou que tomou conta da ocorrência neste sábado e o Serviço de Protecção Civil Municipal notificou a proprietária do imóvel em ruínas para fazer obras.Ainda neste sábado, engenheiros da CMB fizeram uma vistoria técnica ao edifício e ontem seguiu a notificação formal da parte do Serviço de Protecção Civil para a proprietária proceder à consolidação da parede no prazo de cinco dias.

Caso não o faça, a autarquia procederá à execução coerciva dos trabalhos nos termos legais.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Concentrar gastos no combate gera fogos mais intensos

Concentrar os gastos no combate aos incêndios florestais em detrimento da prevenção tem efeitos perversos a longo-prazo, levando a um aumento da intensidade dos fogos e tornando mais comum anos com uma maior área ardida. Esta é a principal conclusão de um estudo científico publicado recentemente no Journal of Environmental Management, intitulado Gestão de fogos florestais para evitar consequências indesejáveis: estudo do caso português usando dinâmica de sistemas.

O projecto faz parte do Programa MIT Portugal, uma parceria do Governo português com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts que tem como objectivo promover as capacidades científicas e tecnológicas nacionais e reforçar a cooperação entre as universidades portuguesas e o sector empresarial. O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo grupo Portucel Soporcel, produtor de papel.

Para estudar os efeitos da distribuição de recursos no combate e na prevenção dos fogos florestais, foi desenvolvido um modelo computacional, que inclui uma multiplicidade de variáveis, como a meteorologia, o êxodo rural, a área ardida por ano, a média de área ardida por ocorrência, o número anual de ignições e a eficiência do combate aos incêndios. Os autores do estudo partem do pressuposto que o orçamento é limitado (o montante considerado foi 150 milhões de euros, uma estimativa dos gastos feitos em 2009 e 2010), o que significa que quando se gasta mais em combate isso tem um efeito directo no orçamento da prevenção e vice-versa.

Os investigadores concluíram que orçamentos que concentram os gastos quer no combate quer na prevenção têm consequências adversas no longo-prazo. Aconselha-se, por isso, os governantes a distribuir os recursos de uma forma equilibrada entre o combate e a prevenção, para minimizar o total de área ardida. “Enquanto um grande ênfase no combate pode ser contra produtivo, um montante insuficiente também é prejudicial porque os fogos duram mais tempo e causam mais perdas humanas e materiais”, lê-se no estudo.

A exacta proporção dos gastos não é considerada relevante pelos investigadores, já que o modelo não procura uma precisão numérica, mas uma tendência. O estudo explica que um investimento muito maior no combate que na prevenção tem bons efeitos a curto prazo, porque diminuiu a duração dos fogos e, por isso, a área ardida. Contudo, apresenta efeitos indesejáveis a longo prazo. Como os meios são escassos, apostar muito no combate retira recursos à prevenção, que fica praticamente sem expressão. “Com a remoção preventiva de combustível a baixar, a carga combustível cresce na floresta, o que leva ao aumento da intensidade dos fogos e da taxa de propagação. Esta combinação de factores traduz-se numa maior área ardida e numa maior pressão para gerir os fogos com mais medidas de combate”, escrevem os autores.

Com a área ardida a aumentar, a reacção política, muitas vezes influenciada pela pressão social, é reforçar o combate o que acaba por gerar um ciclo vicioso que os investigadores chamam “armadilha do combate aos fogos”. “Instintivamente ou por pressão pública o investimento extremo no combate conduz a um investimento ainda mais extremo na supressão”, nota João Claro, investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto e um dos autor do estudo. E acrescenta: “É preciso olhar para o problema dos incêndios de forma integrada e articulada”.

O modelo indica que, de algum modo, isto é o que tem acontecido em Portugal. O estudo não ignora as dificuldades de inverter esta situação e identifica três razões para isso: a resistência das organizações associadas ao combate, a falta de efeitos visíveis do investimento na prevenção no curto prazo e a dificuldade dos governantes receberem créditos por evitarem problemas que não se chegam a manifestar.

“No passado temos assistido a uma posição por parte dos Governos no sentido de tentar resolver as consequências do problema e não as suas causas. Após épocas difíceis de incêndios, e apesar de se anunciarem reforços na prevenção, são as medidas do âmbito do combate que recebem os orçamentos mais significativos e que acabam por ser implementadas”, lamenta o engenheiro florestal Tiago Oliveira, outro dos autores do estudo. Por isso realça: “Este estudo ilustra cientificamente as vantagens do reforço da prevenção para a defesa da floresta. Se existir um reforço das políticas de prevenção, durante todo o ano, com uma coordenação real de esforços entre todos os agentes do sector, é possível reduzir os danos, o impacto das áreas ardidas e custos associados”. Por isso, Tiago Oliveira sustenta que deveria existir um compromisso plurianual, baseado numa forte fundamentação técnica, que confira estabilidade aos orçamentos para prevenção e combate.
fonte:Publico

"Bombeiros têm de ter a coragem de dizer não"

Com quase 130 mil hectares ardidos e mais de 20 mil incêndios, o ano foi trágico para os bombeiros, reavivando o debate sobre o estado da floresta, as estratégias de combate, e o comportamento de risco dos portugueses.

Os bombeiros têm de ter a coragem de dizer não e a sociedade tem de estar preparada para isso, porque há situações que não merecem o sacrifício de uma vida. É esta a conclusão de Xavier Viegas, especialista no comportamento do fogo, depois de uma época desastrosa ao nível dos incêndios. 

Está fechada a fase "Charlie" de combate a incêndios, que cruza o período mais crítico dos três meses de Verão. Ao longo desta semana, a Renascença faz o balanço de uma época que já tem lugar garantido entre as mais complicadas da última década. 

Com quase 130 mil hectares ardidos e mais de 20 mil incêndios, o ano foi trágico e reavivou o debate sobre o estado da floresta, as estratégias de combate, e o comportamento de risco dos portugueses. Mas o que ficará como marca do ano são as consequências humanas e, sobretudo, o luto que se instalou no dispositivo dos bombeiros. 

Para o especialista Xavier Viegas é até hipócrita chorar a morte dos bombeiros perante tantos comportamentos de risco. 

“A gestão de combustível, uso de fogo controlado, cortes de ramagens, limpezas de bermas, limpezas em volta das casas. Muitas das situações em que vemos os bombeiros a meterem-se em perigo é porque têm de ir salvar casas, porque as casas não estão devidamente protegidas. São as pessoas que não tiveram esse cuidado e colocam em risco os bombeiros. É uma hipocrisia estar a chorar os bombeiros quando não fazemos alguma coisa para evitar essas mortes por meio desta acção. Quando isso toca instâncias do Estado, dependentes do Estado, penso que é particularmente grave que não se esteja a fazer o que se deve.” 

Xavier Viegas não tem nesta altura qualquer dúvida: Os bombeiros "têm de ter essa coragem de dizer não. Dizer que há situações em que não se metem lá. E as pessoas têm de estar preparadas para ouvir isso. Os bombeiros têm um lema que é ‘vida por vida’, mas nalguns casos não se trata de vida, são pedras, calhaus, ervas, arbustos, nem que sejam casas. Não justificam o sacrifício da vida". 


Mais de 300 fogos por dia

Na conjugação de factores que faz deste um dos piores anos, destaca-se uma vez mais o número de incêndios registados, que continua a deixar os especialistas nacionais e estrangeiros estupefactos. 

O sistema de combate está pensado e montado para um limite de 250 incêndios por dia, mas em Agosto, e durante várias semanas seguidas, a média diária esteve sempre acima dos 300, com vários dias a ultrapassar os 400. 

Pior ainda quando 80% dos 20 mil incêndios deste ano foram a Norte do Mondego, 70% ocorreram em apenas um mês, o de Agosto, e quando a taxa de incêndios nocturnos é tão alta, que quase não dá tempo aos bombeiros para se reorganizarem. 

Quando assim é, ficam evidentes duas das outras notas negativas do ano. Torna-se difícil evitar que muitos fogos ganhem dimensão e se transformem em grandes incêndios de vários dias, e não há manifestamente tempo e meios para fazer os rescaldos correctamente, dando assim origem a elevadas taxas de reacendimentos. 

“Não somos um país de loucos” 

Duarte Caldeira, ex-presidente da Liga dos Bombeiros e da Escola Nacional de Bombeiros, não tem uma explicação, mas acha que é tempo dela existir. “É anormal. Há um excesso de concentração ao Norte do Mondego, do número de incêndios declarados ao longo deste Verão, que não deixa de ser estranho, quando comparado com anos anteriores. Eu não quero acreditar que sejamos um país de loucos ou de pirómanos, não somos um país de desequilibrados mentais. Portanto, há aqui qualquer coisa que carece de análise e que estará a ser analisado por quem compete”. 

Com origem negligente em 34% dos casos investigados ou com origem dolosa, que este ano ronda os 23%, o que o académico Xavier Viegas sabe, é que o fogo teve todas as condições para fazer estragos sérios: “Tivemos uma Primavera e tínhamos tido antes um Inverno com grande precipitação, que deram origem a uma vegetação fina, muito abundante. Após o mês de Junho, em que cessou a chuva, começou a secar e depois tivemos um período de seca, com valores muito altos. Fez com que essa vegetação que estava no terreno, uma boa parte da qual não foi cortada, ficou disponível para propagar estes incêndios”. 

As mesmas tantas vezes identificadas. “Este é um desastre anunciado", diz Duarte Caldeira.

“É verdade que o perfil meteorológico é potenciador da gravidade dos incêndios florestais, mas há outros factores que, não sendo tratados em devido tempo, a saber, uma política integrada de prevenção que altere o risco que a floresta portuguesa hoje configura, uma alteração na política de ordenamento do território, nomeadamente o povoamento de zonas que estão completamente despovoadas, com população idosa, sem mobilidade, sem capacidade de alteração estrutural desse mesmo território, sem vivência, logo sem trabalho da terra. Eu diria que este ano se reuniu o tal cocktail cultural, social, económico e de risco.” 

Fim do experimentalismo

Duarte Caldeira considera impossível que a gestão deste problema continue a estar dispersa por quatro ministérios e defende em vez disso uma centralização mais próxima do primeiro-ministro, por exemplo na presidência do conselho de ministros. Na sua opinião, politicamente, não há governos inocentes. Ao actual, entre outras coisas, aponta o erro de ter acabado com os governos civis, e a coordenação que permitiam e apela ao fim do experimentalismo no sector dos bombeiros e da Protecção Civil. 

“Este sistema tem sido marcado por um excesso de experimentalismo, por uma ausência de avaliação de resultados e de consolidação de doutrinas e modelos de organização. Quando alguém entra, mesmo que não altere tudo, altera sempre alguma coisa. E portanto continuamos a ter um sistema de protecção civil que carece de solidificação. É tempo de acabarmos com o experimentalismo.” 

Neste capítulo da acção política o actual Governo já deixou a sua marca. Esta época de incêndios fez-se com um novo presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil, um novo Comandante Nacional de Operações, e vários novos comandantes distritais, uma nova Lei Orgânica que criou cinco agrupamentos distritais de coordenação, montados praticamente em cima do verão, e algumas outras medidas, como por exemplo a extinção da Empresa de Meios Aéreos, que tem sido confusa, e ainda só foi parcial. 

Na vertente operacional os números falam por si. Somando os meios empenhados em todos os incêndios, contam-se mais de 360 mil bombeiros, quase 97 mil viaturas e sete mil missões dos meios aéreos. Algumas dezenas delas feitas por aviões franceses, espanhóis, e croatas, que responderam ao pedido internacional de ajuda lançado por Portugal. 

Luto instalou-se
Mas o que ficará como marca do ano são as consequências humanas e, sobretudo, o luto que se instalou no dispositivo dos bombeiros. 

Oito mortos, cerca de 60 feridos, três deles ainda internados, a que se junta a morte de três civis em cenários de incêndio. 

Duarte Caldeira, durante oito anos responsável pela escola que forma os bombeiros portugueses, diz que essas tragédias têm que ser rigorosamente investigadas e explicadas, mas também que é preciso parar para pensar, e reconhecer que falta alguma formação específica: "Oito mortes este ano em bombeiros, e as circunstâncias em que estas ocorreram, obrigam-nos a entender o que correu mal. Isto significa ter a disponibilidade e a humildade de nos questionarmos sobre os modelos de formação. Será que os combatentes conhecem suficientemente a meteorologia? Será que, nomeadamente os bombeiros, estão devidamente dotados de competências ao nível do comportamento do incêndio? Será que estão seguros da colocação dos meios, em função das características do terreno?” 

Falta cultura de segurança acrescenta. “Temos bombeiros com uma elevada generosidade, uma elevada carga emocional e adrenalina, e este inimigo exige um superavit de racionalidade. Não é possível continuar a ter homens e mulheres em combate sem respeitar os ciclos de repouso. Temos de alterar e introduzir na formação uma nova dimensão da segurança. Porque as guerras ganham-se com soldados vivos, não como soldados mortos.” 


O balanço desta época de incêndios é negativo. Os quase 130 mil hectares ardidos ficam claramente acima da barreira dos 100 mil, que o próprio Governo define como limite aceitável, e há muito que não se ouviam tantos apelos para que toda a estratégia de prevenção e combate seja revista.

Queimas de sobrantes da Agricultura

Queimas e queimadas necessitam de ser encaradas de uma forma especial, com estreita vigilância e o cumprimento das normas de segurança. 

Agora que foi levantada a proibição da execução de queimas de sobrantes de agricultura, centenas de trabalhadores dos espaços rurais voltaram à lide habitual da limpeza e gestão dos seus espaços rurais e florestais.

Com eles voltou também o uso do fogo.

O Cbbraganca alerta que as condições dos terrenos, meteorologia e combustíveis secos e divididos podem originar graves incêndios.

Os incêndios que eclodem por este tipo de prática são diários e podem trazer danos irreparáveis.

É proibido acender fogueiras nas ruas, praças e mais lugares públicos das povoações, bem como a menos de 30 m de quaisquer construções e a menos de 300 m de bosques, matas, lenhas, searas, palhas, depósitos de substâncias susceptíveis de arder e, independentemente da distância, sempre que deva prever-se risco de incêndio.

CONDIÇÕES TÉCNICAS EXIGIDAS PARA A REALIZAÇÃO DE QUEIMAS

-Observar as condições meteorológicas, velocidade e direcção do vento e a temperatura ambiente;

-Só poderão ser realizadas caso o risco de incêndio no Conselho seja igual ou inferior moderado.

-Dividir o combustível, de modo a queimar poucas quantidades de uma só vez.

-Criar aceiros na zona contígua.

-Manter sempre durante a queima vigilância permanente, abandonar o local somente quando exista a certeza de que dai não surja reacendimento.

-Efectuar queima preferencialmente na parte da manhã por volta das 7:00horas.

-Não deixar a queima a arder durante a noite e madrugada.

As queimas de sobrantes não carecem de licenciamento, no entanto devem ser observadas as condições técnicas atrás mencionadas e ter em atenção que:


Deve-de informar os Bombeiros da Área onde vai queimar sobre a localização da queima que pretende realizar, tipo de matéria a queimar e quantidade.



Muita atenção: é proibida a queima de plásticos, borracha e/ou produtos tóxicos que não resultantes de sobrantes de exploração, tais como lixos alimentares ou outros produtos, as multas podem ascender aos 6000 euros.

Antes de efectuar a queima ou para pedir informações deve ligar para os Bombeiros ou para o numero 117. 

Não utilize o 112 para pedir informações!

Passem a mensagem junto das populações do interior. O perigo não passou... 

uma ideia original de: SAFEPLACE54

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Mais de 1200 bombeiros usaram Base de Apoio Logístico instalada em Paredes

A Base de Apoio Logístico (BAL) instalada no quartel dos Bombeiros Voluntários de Paredes (BVP) acolheu, entre Julho e Setembro, 1234 homens e mulheres que combateram fogos florestais no Norte do país.
Foi também em Paredes que 649 bombeiros do distrito do Porto, mas também de Leiria, Lisboa, Setúbal e Santarém se alimentaram antes de partir para o combate às chamas. Outros 232 dormiram nesta cidade após a passagem por alguns dos mais dramáticos cenários que se verificaram este Verão.

Estes números fazem com que a BAL de Paredes seja a maior das 18 existentes no território nacional.

Abastecimento dos carros em trânsito pelo país também é feito em Paredes
É em Paredes que os bombeiros em trânsito pelo país se refugiam quando vêm ao distrito do Porto combater fogos florestais. Só nos últimos três meses, e Setembro ainda não chegou ao fim, 1234 soldados da paz usaram as instalações dos BVP adaptadas para permitir que estes homens e mulheres recuperem forças para voltar ao monte e combater incêndios.

Foi também na BAL de Paredes que 232 bombeiros dormiram, 279 tomaram o pequeno-almoço e outros 370 comeram o almoço e/ou o jantar. "Os homens ficam no mínimo oito horas a descansar, mas também podem ficar cá instalados durante uma semana se for essa a decisão da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC)", explica o comandante dos BVP, José Luís Morais. Seja qual for o tempo de estadia, nada pode faltar aos grupos de bombeiros, mas também a equipas do INEM e da própria ANPC que ficam instalados em Paredes.

Nem mesmo o combustível para atestar os depósitos dos carros usados em campanha. Por isso, no Verão prestes a terminar passaram pelo depósito instalado no quartel paredense 1485 litros de combustível.

30 minutos para preparar instalações

Desde 2002 que Paredes alberga a única BAL do distrito do Porto. Como argumentos para convencer a ANPC a escolher Paredes, a direcção dos BVP destacou a "localização geoestratégica privilegiada" que coloca o quartel no centro do distrito, mas também o fácil acesso a vias de comunicação como a A4, a A42, a EN15 e a linha da CP. A existência de condições necessárias ao apoio logístico, nomeadamente espaço para instalar homens e carros e equipamentos essenciais à comodidade dos bombeiros, também ajudou a que Paredes fosse escolhida em detrimento de outras corporações que manifestaram interesse em ter a BAL.

Nessa altura, a Base de Apoio Logístico de Paredes conseguia albergar 80 homens, mas quando, em 2010, foi assinado um protocolo com a ANPC essa lotação já tinha sido ampliada até às 150 pessoas. Uma capacidade que tornou Paredes na maior BAL do país. "Em 2009, fizemos um investimento de cerca de 75 mil euros. Construímos balneários, equipámos uma cozinha industrial e instalámos uma caldeira para não faltar água quente", refere o comandante José Luís Morais.

Em Paredes existe ainda uma equipa de cinco voluntários que garante que nada falta aos grupos em trânsito. São eles que confeccionam os pequenos-almoços, trocam os lençóis ou, entre outros serviços, limpam os balneários. "Quando há mais de 50 elementos instalados também somos nós que confeccionamos os almoços e jantares. Quando são menos a comida é encomendada a um restaurante e servida no quartel", esclarece o comandante da corporação.

É ainda a equipa de voluntários que torna possível, tal como consta no protocolo estabelecido com a ANPC, que a BAL esteja em condições de receber bombeiros num tempo máximo de duas horas. "A BAL está em funcionamento 24 horas por dia, 365 dias por ano e o nível de prontidão é de duas horas. Mas no Verão, como já temos 120 camas instaladas, esse tempo baixa para 30 minutos", assegura José Luís Morais. "Tal como na guerra, também o combate aos fogos se ganha no ar (com a utilização de meios aéreos) e no apoio logístico. Por isso não podemos falhar", refere José Luís Morais.

Empresas da cidade lucram milhares de euros com a presença da base

Para o comandante José Luís Morais, a instalação da BAL em Paredes é um factor de desenvolvimento económico. Para sustentar esta tese, o líder dos BVP faz as contas ao número de almoços e jantares encomendados a um restaurante da cidade. "Pagámos cerca de sete euros por refeição, o que dá um total de 2590 euros", afirma. A este valor soma-se o combustível adquirido igualmente numa empresa local. "Só no mês de Agosto gastámos sete mil euros em combustível", salienta.

José Luís Morais acrescenta ainda compras que os bombeiros fazem no comércio tradicional quando estão instalados em Paredes. "Há sempre alguém que vai comprar uma camisa", garante.

Para se perceber a dimensão económica da BAL de Paredes refira-se que, nos últimos três meses, a associação humanitária investiu cerca de 15 mil euros no financiamento desta infra-estrutura. Dinheiro que a ANPC está a liquidar conforme o previsto no protocolo. "Mas estamos a tentar renegociar o protocolo. O que está estipulado em termos monetários não é suficiente para fazer face às necessidades", revela o comandante.

Base de Apoio Logístico em números

- 75 mil euros de investimento 
- 2002 foi o ano em que foi instalada 
- 1485 litros de combustível abastecidos
- 1234 bombeiros apoiados 
- 370 refeições servidas
- 279 pequenos-almoços servidos
- 232 homens e mulheres dormiram em Paredes

- 150 elementos é a capacidade da BAL
fonte:verdadeirolhar.pt

Empresa de Meios Aéreos do Estado Continua pelo Menos Até ao Fim do Ano

Além de metade da frota estar indisponível, os helicópteros KAMOV do Estado continuam a atrasara extinção da EMA, anunciada há dois anos pelo ministro da Administração Interna.

O primeiro anúncio ao país foi feito a partir do Peso da Régua. Miguel Macedo, o ministro da Administração Interna, revelou a 30 de Outubro de 2011 que a Empresa de Meios Aéreos (EMA) do Estado tinha os dias contados e que as suas funções seriam assumidas pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC).

Dois anos depois, boa parte das competências da EMA já transitaram para a ANPC, mas o processo de extinção mostrou-se mais complexo do que se esperava e é agora certo que a empresa se manterá em funcionamento pelo menos até ao fim do ano. Isto porque uma resolução do Conselho de Ministros publicada em Diário da República a 23 de Agosto - a mesma que autorizou uma despesa de mais de meio milhão para o aluguer de dois aviões espanhóis para o combate aos fogos em Setembro e Outubro - refere que a EMA receberá a curto prazo mais de 7,8 milhões de euros do Estado. "Visando assegurar a disponibilidade de meios aéreos de forma permanente durante o período compreendido entre 1 de Outubro e 31 de Dezembro de 2013", justifica o diploma. Assim sendo, a empresa continuará a gerir a frota de meios aéreos. Em 2011, aquando do anúncio da extinção, Miguel Macedo justificava a decisão do governo com a necessidade de poupar dinheiro. O ministro garantiu que extinguir a empresa que gere os meios aéreos do Estado permitiria "melhorar e adequar o dispositivo de protecção civil, racionalizar estruturas e meios e definir com clareza prioridades e critérios de actuação". Mas não só. Segundo o governante, o desaparecimento da EMA permitiria também "poupar dinheiro dos impostos dos contribuintes sem pôr em causa a capacidade operacional do dispositivo dos meios aéreos". A poupança estava calculada pelo Ministério da Administração Interna (MAI) em 7 milhões de euros - contabilizando despesas relacionadas com funcionamento, rendas, equipamentos e ordenados.

Mas logo no início de 2012 uma resolução do Conselho de Ministros determinava que a gestão da operação do dispositivo dos meios aéreos do Estado se manteria sob a tutela da EMA "a título transitório no ano de 2012". Para isso, o governo transferiu para a empresa um total de 36,5 milhões de euros (mais 600 mil euros que o orçamento do ano anterior). Em Março, o "Público" questionou Miguel Macedo sobre o processo e o ministro foi taxativo: "A EMA será efectivamente extinta, não havendo qualquer inflexão nesta matéria."

Mas os problemas começaram pouco tempo depois, em Junho de 2012, quando Miguel Macedo decidiu alterar o modelo de contratação, manutenção e aluguer dos meios aéreos. Os concursos deixaram de ser anuais e foi lançado - em conjunto com o Ministério da Saúde - um procedimento concursal internacional a cinco anos. O concurso público estava dividido em vários lotes, prevendo-se que assim que estivessem resolvidos a extinção da EMA pudesse finalmente avançar. Acontece que o lote relativo à manutenção e operação dos helicópteros pesados KAMOV ficou vazio - nenhuma empresa concorreu -, o que está a impedir a extinção da empresa.

Agora, e para tentar contornar a situação, o governo decidiu lançar um novo concurso. Na resolução de 23 de Agosto, a ANPC foi autorizada a abrir um novo procedimento concursal para a manutenção dos helicópteros pesados para o triénio 2014/2017. E caso não surjam novamente interessados, o MAI admite mesmo recorrer a um "ajuste directo". A resolução autoriza ainda uma despesa de 51,2 milhões de euros para a manutenção e a operação das aeronaves do Estado até 2017. Entretanto, mantêm-se na EMA 51 funcionários - entre operacionais e administrativos -, cujo futuro continuará a ser incerto depois do dia 1 de Janeiro do próximo ano.
Fonte: IOnline

Liga e Federação Não Aceitam Postura da GNR

O caso não é novo, e ano após ano repete-se. Desta vez, o Serviço de Proteção da Natureza e do 
Ambiente da GNR, (SEPNA) está a investigar vários bombeiros do distrito de Viseu, por eventual uso indevido de (fogo de supressão ou fogo tático) no combate aos incêndios florestais.

Joaquim Marinho, presidente da Federação recusa ver os bombeiros a serem tratados como “criminosos”. Já o presidente da Liga garante que a situação está a ser tratada junto da tutela e passa por formação aos quadros de comando.

Já foram ouvidos em sede de inquérito bombeiros das associações humanitárias de Moimenta, Castro d’Aire, Farejinhas e Vila Nova de Paiva. A denúncia foi feita por Rebelo Marinho, presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Viseu: “O SEPNA tem identificado uma série de bombeiros do distrito de Viseu que estão a ser perseguidos por causa do uso de contrafogo nos incêndios florestais. Os bombeiros não são criminosos. É uma humilhação estarem sujeitos a interrogatórios, a serem confrontados com fotografias tiradas nos incêndios, com o objetivo
de serem conduzidos processos para os tribunais contra os bombeiros”, afirmou indignado o dirigente.

O recurso ao contrafogo está definido no Despacho n.º 14031/2009. O Despacho define quem o pode realizar, com que habilitações e ainda sob
a tutela de quem. Também a DON 2 de 2013 refere que cabe ao CODIS a validação da técnica de contrafogo, depois de autorização prévia por parte do Comando Nacional.

Joaquim Marinho é da opinião de que a atual legislação deve ser alterada. A utilização de técnicas de contrafogo deve ter bom base o “bom
senso”, a “experiência” e a “formação” necessária, condições que os bombeiros portugueses reúnem e que por isso a lei deve ser “alterada”
para que seja permitido aos bombeiros utilizar o fogo em igualdade de circunstâncias com as equipas GAUF.

Em declarações ao Bombeiros de Portugal, o presidente da Federação sublinha que os bombeiros não são “irresponsáveis”, são “cumpridores das
leis”, mas não aceitam discricionariedades.

A par da mudança da legislação, sob tutela do Ministério da Agricultura, Joaquim Marinho defende que o SEPNA da GNR deveria ter outra atitude: “É inaceitável a forma e o tom policial como a GNR entrou pelos corpos de bombeiros, sem respeitar nem hierarquias de comando, nem a própria da ANPC. Considero que a GNR devia ter uma função pedagógica e quem sabe promover uma reunião com o CODIS e com os comandante
dos corpos de bombeiros para debater estes casos. Agora, entrarem pela casa dos outros em tom intimidatório como se os bombeiros fossem criminosos, isso não podemos aceitar”, concluiu o dirigente.

Formação para quadros de comando

A Liga dos Bombeiros Portugueses já fez saber junto do Governo que não aceita atitudes “prepotentes”, nem tão pouco ver os bombeiros a serem tratados como “criminosos”. Jaime Marta Soares lembra que “ninguém está acima da lei”, mas há formas de tratar as coisas. Segundo o presidente da Liga, o executivo já foi sensibilizado para a necessidade de “mudar” as regras que definem a realização de contrafogo, porque a realidade dos incêndios a isso exige. Noutro âmbito, Jaime Marta Soares anuncia que está já a ser elaborado com a Escola Nacional de bombeiros um esquema de formação destinado a quadros de comando em matéria de contrafogo.

Jornalista: Patrícia Cerdeira
Fonte: Jornal Bombeiros de Portugal